Urgentemente

19 janeiro 2017








































Urgentemente
É urgente o amor 
É urgente um barco no mar 
É urgente destruir certas palavras, 

ódio, solidão e crueldade, 

alguns lamentos, muitas espadas. 
É urgente inventar alegria, 
multiplicar os beijos, as searas, 
é urgente descobrir rosas e rios 
e manhãs claras. 
Cai o silêncio nos ombros e a luz 
impura, até doer. 
É urgente o amor, é urgente 
permanecer. 

Há 94 anos anos nascia Eugénio de Andrade.
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Quando a poesia anda na rua e o amor lhe dá a mão, neste post.

o meu Porto é mais do que isto

13 janeiro 2017




Viver no Porto é conviver com a realidade de lidar com uma cidade que se vai vendendo aos poucos. Centrados que estão, numa ideia errada de como gerir uma política para o turismo, focada no investimento imobiliário, contrapondo-se em tudo ao direito que nos devia assistir a todos à habitação local.

Se por um lado o Porto está vivo para o turista que visita e se encanta pela primeira com a cidade, vais morrendo para quem há uma vida se vai encantando por ela todos os dias.

Imaginar o futuro da cidade é olhar, com olhos não tendenciosos, para outras cidades europeias que se debatem actualmente com esta realidade e perceber duma vez por todas e enquanto é tempo, que o caminho não é este. 

É numa esquina que a exemplo disto, tem dois hotéis a nascer, um de cada lado da rua, separados por 20 metros? que assistimos a este movimento desenfreado que não augura nada de positivo.

O Porto está vivo de turistas, mas desejariamos que estivesse igualmente vivo, quando esses turistas partissem e não é isso que está a ser planeado, para preocupação dos que continuam por cá para além duns maravilhosos dias de férias.
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Boas notícias, nem tudo bai no Batalha!

Ainda sobre o Turismo vale a pena ler; Treze (tristes) Teses Sobre o Turismo, do Pedro Levi Bismark.
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Há Golas e Chachecóis tricotados à mão e com desconto, na loja do tictail. Passem por .

O sexo das flores

10 janeiro 2017










Fig. 51 - Posição do ovário nas flores da :

1, couve (súpero) ; 2, laranjeira (súpero) ; 3, brinco-de-princesa (ínfero)
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Floriram há uns dias, foram as últimas a reproduzirem-se ali no quintal. 
A música era esta.
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A ler, uma entrevista a Zygmunt Bauman. Um dia depois da sua morte.

A poesia anda na rua, ou é de mim

06 janeiro 2017


Aproveitar o Inverno para apreciar a vida que noutras Estações se esconde numa árvore e agora se revela sem o querer.

Ir a um encontro para tomar um café e a dois minutos de lá chegar, parar para ver as renas que saiam duma janela, sem saber que ía encontrar as mesmas cores na sobremesa que pedimos e nos desenhos dela.

Trazer de Braga, na última ída crónica do ano, uma das mais bonitas imagens que vi em 2016.
Um vendedor de tangerinas que também espalha poesia.

Uma das mais urgentes decisões, concretizá-lo.
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A par das novidades, as promoções continuam, na loja.

Planos para 2017

29 dezembro 2016


Agarrar-me à vida.

O meu Advento

27 dezembro 2016









O nosso Pinheiro é um Plátano. É uma árvore feita dum galho do Jardim da Cordoaria, apanhado do chão no ano passado, quando ainda morávamos na outra casa.

A mesa tem a toalha de crochet, os copos e os pratos da avó. Tem a taça dourada da minha mãe, a mesma de sempre e que desde que me lembro apenas sai do armário para a mesa de Natal.

A vontade de fazer postais para comemorar este dia é um costume que estranhamente teimo em não perder.

Decorar com folhas de chocolate, feitas a partir de folhas de tangeriana (seguindo uma receita da Paula) a Tarte de Lima feita pela M e ao mesmo tempo pressentir que um Bolo Rei iria ser destronado.

Ter na mesa todos os doces que são tradição, as Rabanadas e os Bolos de Bolina da minha mãe, a Aletria e os Mexidos que aprendi com a minha avó e pela primeira vez uma sobremesa dela que se sobrepôe a tudo.

O melhor do dia, reunirmo-nos na cozinha para preparar a seia e passarmos a noite juntos apertados num sofá, a única.

Inventamos uma tradição para esta nova família, um outro Natal, novo, como se fosse possível.
Para mim, tão pequeno como o que resumo aqui, mas grande demais para ser revelado. 

A mais nova novidade

22 dezembro 2016





A experiência diz-me que quando passamos muitas horas seguidas sentados a trabalhar não há nada mais confortável e que nos consiga manter mais quentes, nestes meses de Inverno, do que uma boa almofada de lã.

Quando chegarem os dias de calor podem sempre usar esta peça como decoração, enquanto esperam  pelas mudanças de estação.

Cá em casa são apreciadas por humanos e gatos, o que já de si é um boa referência, dado o certificado de qualidade que imprimem a tudo o que é acolhedor e quente.

Esta é para venda e está disponível na loja.
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Knots Cushion

As nuvens do Amadeo tocam as flores

20 dezembro 2016










































Ir ao Museu Soares dos Reis para ver a melhor exposição dos últimos tempos, uma recriação da primeira e única mostra individual do pintor Amadeo de Souza-Cardoso, inaugurada no Porto há um século.

As nuvens do Amadeo tocam as flores e são camélias as que cobrem o chão do jardim.

Encontrar pequenas homenagens nas paredes da rua e descobrir por acaso a forma tão bonita como uma menina deixou as flores com que brincou no jardim do Museu.
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Um post antigo sobre um livro e as suas ilustrações.

As Valentinas

14 dezembro 2016

Entre um passado a preto e branco e o presente com mais cor  estão algumas das mulheres do lado materno da família.

Da minha trisavó Amélia que ficou viúva aos trinta e poucos anos com nove filhos para criar, pouco sei além de que conseguiu levar a vida em frente. 

Os meus bisavós Valentina e Augusto, pais da minha avó Maria Amélia que segurava ao colo a minha mãe ainda bebé.

De tantas histórias com tantos nomes, as mulheres tiveram sempre papéis fundamentais nos enredos de cada uma das épocas. O primeiro destes registos é do ano de mil oitocentos e tal e termina esta semana, comigo e com a minha filha Maria.

Nesta série de bonecas tive vontade de as reunir a todas, todas as raparigas e meninas que foram, cada uma com a sua personalidade, o seu carácter mais ou menos vincado, umas claramente mais seguras do que outras, que submissas e inseguras desistiram dos sonhos mas souberam educar as filhas no sentido contrário, umas verdadeiras emancipadoras e com uma energia fora do comum, todas elas diferentes  na sua identidade mas iguais na sua força. 

A  todas será dado um nome próprio, decidido por quem escolher viver com elas uma vida. A primeira boneca que recebemos é quase sempre a última de que nos desfazemos e por vezes fica guardada à espera dum irmão ou dum primo.

Para mim, que ao encher-lhes o corpo e principalmente a cabeça sentia como se estivesse a criar um cérebro capaz de ter ideias e só pensava que devia enfiar coisas estraordinárias lá para dentro...
todas elas já tinham nome, chamei-as a todas de Valentinas.

Por enquanto são quatro, cada uma é numerada e a primeira é minha. Já estão todas na loja.